quarta-feira, 30 de maio de 2012

Albert Nobbs

Na Irlanda do século 19, mais especificamente em Dublin, uma mulher se passa por homem, há mais de 30 anos, para sobreviver física e financeiramente. Quem lança mão desse artifício é Albert Nobbs, personagem de Glenn Close que vive numa sociedade machista e moralista.

 O filme é baseado no conto "The Singular Life of Albert Nobbs" de George Moore e realizado pelo colombiano Rodrigo García (filho do prêmio Nobel de literatura Gabriel García Márquez). Era um projeto antigo de Glenn Close, que já havia interpretado o personagem numa peça em 1982 e nesse filme participa da produção e do roteiro.

Após essa breve introdução, algumas considerações pessoais.


É um filme irregular, com algumas passagens que poderiam ser aprofundadas e outras de uma ingenuidade indigesta. Mas o que sobressai, e faz valer, é a atuação e caracterização de Glenn Close. Não tanto pelas roupas masculinas e maquiagem, mas sim pelas expressões impecáveis. Ela é um garçom em um hotel frequentado por uma discutível aristocracia. Sua retidão, competência e capacidade de submissão fazem dela um empregado exemplar. Ela é um homem, esquisito, mas um homem. Em uma atuação dolorosamente contida. Convence a ponto de, em uma determinada cena, vestida de mulher parecer um travesti. Tamanha é a interiorização dessa vida inventada.

O filme vale pela excelência de Glenn Close e também pela ótima atuação de Janet McTeer.

Por conta da magistral atuação da atriz nesse tipo de papel, lembrei-me de um outro filme, Jogo Perigoso (1986), com a fantástica Vanessa Redgrave. Drama de um médico e exímio jogador de tênis, que se submete a uma operação de troca de sexo (personagem de Vanessa Redgrave). Depois da cirurgia, passa a jogar tênis profissional feminino com o nome de Renee Richards. Sofre todo o tipo de pressão quando descobrem que não era mulher. Baseado em fatos, Richards foi técnica da tenista Martina Navratilova.

Vanessa Redgrave arrasa na interpretação do médico-tenista. Recomendo muito!

Bom, voltando... Glenn Close concorreu ao Oscar de melhor atriz, e não levou. O que pra mim é um elogio! 


Cumps

terça-feira, 29 de maio de 2012

Santo engarrafamento!

No final do ano passado, em uma cesta de livros descartados, encontrei uma obra magnífica. Um livro que eu não teria lido de imediato se não fosse por um engarrafamento na Av. Paulista (santo engarrafamento!). Falo aqui de Maratona. Não, não é um livro sobre esporte, o tema aqui é a grande batalha que freou o avanço do império persa em direção à Península Balcânica.

O império persa era o maior do mundo, já havia subjugado vários povos (egípcios, babilônios, bactrianos...). Já Atenas era apenas mais uma cidade-estado grega que não tinha grande importância fora daquele contexto do Mar Egeu. Porém, a história é cheia de casos “Davi e Golias” e os pequenos e bravos se agigantam diante das ameaças.

O que mais impressiona no livro são os comentários inteligentes do autor Alan Lloyd e a forma como ele conta a história dessas duas civilizações, a grega e a persa, até o momento da batalha. A parte sobre os persas chama ainda mais atenção porque é muito raro encontrar material de qualidade que fale, com detalhes e sem preconceitos, sobre esse povo.

Há muitas passagens curiosas, entre elas: a do exército persa que, após dominar o Egito, tentou cruzar o deserto e desapareceu misteriosamente, sem deixar rastros; a do soldado do exército persa que era tido como o dono da voz mais poderosa do mundo e, com um grito, conseguiu chamar os reforços que estavam muito distantes e assim salvou o seu regimento e o imperador; e, para terminar, a do mago impostor que quase usurpou o trono persa após a morte de Cambises II!

Parece ficção, mas é história (com algumas pitadas de absurdo).

Pensando cá, com os meus botões, confio ainda mais na ideia de que só sabemos se um mal é verdadeiramente um mal com o passar do tempo. Santo engarrafamento!

quinta-feira, 24 de maio de 2012

The old man and the sea

Belíssima animação dirigida por Aleksandr Petrov sobre "O Velho e o Mar", de Ernest Hemingway.

la folle

sob esse céu inoxidável
em uma praça de bairro
a desvairada de soutine
em cor e traço

roupas cobrem do corpo
o que sobrou de necessário

colhe flores eufóricas
que nascem antes de abril
depois de março

e oferece às senhoras

pombos a perseguem
e pousam-lhe na cabeça
ávidos por devorarem
as migalhas de sua memória


imagem - obra de chaim soutine

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Segredo divulgado

Hoje, 18 de maio, seria mais um dia nacional de. Seria, mas não é mais um.

O tema é especial e merece atenção. No Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes, me deparei com a grata notícia sobre o livro “Segredo Segredíssimo”, de Odívia Barros.

A autora sofreu abusos sexuais quando criança  e guardou esse segredo a sete chaves até seus trinta e poucos anos. Ao ver sua filha chegar aos cinco anos – idade em que Odívia sofreu os abusos -, sem que conseguisse tocar no assunto com a pequena , ela resolveu se abrir com o marido e contar tudo. Ufa.

A coragem dela foi o início de um libertador processo culminado num livro, que, de forma delicada, cativa e ensina as crianças a saberem se esquivar de situações duvidosas.

Essa é mais uma história daqueles que acreditam que a arte pode combater os desajustes desse mundo.




quarta-feira, 16 de maio de 2012

Professoras e duas anáguas


Quem pensa que dar aulas hoje em dia não é das tarefas mais fáceis, realmente não imagina como eram as coisas no início do século passado.

Como lecionar acabou sendo uma atividade para mulheres, os responsáveis pelo Conselho de Educação norte-americano, duvidando da capacidade delas para essa função, instituíram algumas regras.

Abaixo, texto pra lá de interessante baseado em um contrato que era recorrente nos Estados Unidos.


Este é um acordo entre a senhorita Mary Williams e o Conselho de Educação e da Escola, por meio do qual ela aceita ministrar aulas por um período de oito meses a partir de 1º de setembro de 1923.

A senhorita aceita:

1.       Não se casar. Este contrato será automaticamente anulado e inválido se a professora se casar.

2.       Não andar na companhia de homens.

3.       Ficar em casa desde as oito da tarde até as seis da manhã, a menos que seja para cumprir uma atividade escolar.

4.       Não passear pelas sorveterias do centro da cidade.

5.       Não sair da cidade de jeito nenhum sem a permissão do presidente do Conselho de Delegados.

6.       Não fumar cigarros. Este contrato será automaticamente anulado se a professora for vista fumando.

7.       Não beber cerveja nem vinho nem uísque. Este contrato será automaticamente anulado se a professora for vista bebendo.

8.       Não viajar em nenhum carro com qualquer homem, exceto seu irmão ou seu pai.

9.       Não vestir roupas de cores extravagantes.

10.   Não tingir o cabelo.

11.   Usar, pelo menos, duas anáguas.

12.   Não usar vestidos que fiquem mais de cinco centímetros acima do tornozelo.

13.   Manter a sala de aula limpa:

a)      Varrer o chão da sala de aula pelo menos uma vez por dia.

b)      Esfregar o chão da sala de aula ao menos uma vez por semana com água quente e sabão.

c)       Acender a lareira às sete da manhã, de modo que, às oito, quando chegarem os alunos, a sala já esteja aquecida.

d)      Limpar a lousa ao menos uma vez por dia.

14.   Não usar pó facial, não se maquiar nem pintar os lábios.


É, como bem diz o aforismo: todo mundo é feliz por comparação.

Cumps.

Foto: reprodução de A Mãe de Whistler, recriada pelo fotógrafo Peter Lippman - Google

Quem está comprando livros agora?

O The Book Depository é um site de venda de livros do Reino Unido que faz entregas em mais de 100 países.

Ele tem uma página muito interessante, na qual mostra, em tempo real, os livros que são comprados ao redor do mundo. E as compras são mesmo constantes!

É demais, deem uma olhada!



segunda-feira, 14 de maio de 2012

A dança dos livros

Você sabe o que acontece em uma livraria à noite, após o expediente?




Nas mãos certas, todo livro ganha vida :)


domingo, 13 de maio de 2012

Homenagem ao dia das mães


Bons modos
para minha mãe Maria Menezes de Azevedo



na minha pouca idade
sempre imaginei
que o sol só se levantava
depois de minha mãe acordar

assim como os homens faziam
quando uma dama
entrava na sala

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Jack, o estripador, era uma mulher?

Por Charles Nisz, do blog Vi na Internet

O historiador John Morris lançou um livro com uma tese polêmica: Jack, o estripador era, na verdade, uma mulher. Na obra Jack the Ripper: The Hand of a Woman (Jack, o Estripador: a Mão de uma Mulher), ele afirma que Lizzie Williams (foto) era a autora dos crimes cometidos na cidade inglesa de Whitechappel em 1888.

Lizzie matava e arrancava o útero das vítimas por não poder ter filhos. Sir John Williams, marido de Lizzie, era médico e também participou de alguns desses crimes. A alegação do autor é que os objetos de uma das vítimas foram deixados de "maneira feminina" na cena do crime.

Morris também dá ênfase a outros indícios: botões de um sapato feminino na cena de um dos crimes e resquícios de uma capa, uma saia e um chapéu femininos nas cinzas de uma das vítimas - que não vestia nenhuma dessas peças. As pesquisas foram feitas por Morris e seu pai em diversos registros médicos e policiais da época.

No total, cinco mulheres foram assassinadas - todas eram prostitutas na região de East End, em Londres. Mary Ann Nichols, Annie Chapman, Elizabeth Stride, Catherine Eddowes e Mary Jane Kelly foram mortas em um período de dez semanas e todas tiveram o útero arrancado - para Morris, um índicio crucial e sempre ignorado na elucidação dos crimes.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Nova revista eletrônica de tradução

Foi lançada a primeira edição da revista Traduzires, uma publicação eletrônica dedicada à tradução do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Tradução - POSTRAD, da Universidade de Brasília - UnB.

Neste primeiro número, os artigos publicados são:
  • Perspectivas culturais sobre a tradução  de Annie Brisset
  • Norma linguística, hibridismo & tradução  de Marcos Bagno
  • La traduction comme espace de confrontation et d’affrontement des langues dites « majoritaires » et « minoritaires » de Georgiana Lungu-Badea
  • Os estudos da tradução no brasil: relatos de pesquisa  de Sinara Oliveira Branco
  • A interface tradução e linguística sistêmico-funcional no Brasil  de Roberto Carlos de Assis
  • Tradução, trocas literárias e (a)d(i)versidade editorial  de Marta Pragana Dantas
  • Traições editoriais: Os trabalhadores do mar, de Victor Hugo a Machado de Assis  de Junia Barreto
  • Noções fundamentais para se pensar a poética do traduzir de Meschonnic  de Alice Maria Araújo Ferreira

Vale a pena conferir!

domingo, 6 de maio de 2012

The Buk is on the table

Apreciamos facilmente as coisas belas, pois elas apresentam um tipo de beleza fácil e preguiçoso, está na superfície, basta bater o olho e reconhecê-la. Porém, em alguns casos, a beleza está escondida, é necessário um mergulho em profundidade para descobri-la.

Assim ocorreu com a minha leitura de Charles Bukowski, um autor que decidi ler por indicação de Jean-Paul Sartre, um amigo de longa data, que se referiu ao velho Buk como “o melhor poeta da América”.

Em O amor é um cão dos diabos, o “velho safado” convida o leitor a conhecer as sarjetas de Los Angeles. Nesse cenário, pessoas simples, vencidas pela vida, emergem da poesia sincera de Bukowski. É ele mesmo o mais marcante dos personagens, já que o texto foi escrito de forma autobiográfica.

Para o leitor, só existem dois caminhos: ou você adora ou odeia. É um autor que não nasceu para o meio-termo... e muito menos para meias palavras.

(...)
bêbado e escrevendo poemas
às 3h15 da manhã.

algumas pessoas me dizem que sou
famoso.

o que estou fazendo sozinho
bêbado e escrevendo poemas às
3h18 da manhã.

sou tão louco quanto sempre fui
eles não entendem
que não parei de me pendurar pelos calcanhares
da janela do 4º andar –
eu ainda o faço
agora mesmo
aqui sentado
(...)

(fragmento do poema “Tão louco quanto eu sempre fui”, do livro O amor é um cão dos diabos)

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Razão e Sentimento - edição ilustrada

Ivo Barroso, poeta e tradutor, anunciou no seu blog o lançamento de uma edição comemorativa do romance Razão e Sentimento, de Jane Austen, traduzido por ele.

Essa edição, que celebra os 200 anos da obra, é ilustrada, tem apresentação de Leonaro Froes, a história da composição do livro por Raquel Sallaberry (do blog Jane Austen em Português) e o artigo O suposto formato epistolar de Razão e Sentimento do crítico literário D.H. Harding. Além disso, ela traz as capas de várias outras edições do livro em diversos países.

Passem no blog do Ivo para verem a capa da edição brasileira e algumas capas estrangeiras e passem na livraria para garantir essa que é uma edição de colecionador!

PS: Aceito como presente, rsrs.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

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