quarta-feira, 28 de setembro de 2011

relento

à minha irmã Marlene (in memoriam)



na noite derramada
chorava meu olhar castanho
machucado pela ponta de uma estrela

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Antes das torres

Começarei este post com uma palavra em caixa-alta: PULITZER.



Dentre todos os prêmios que existem por aí, o Pulitzer, o Nobel de Literatura e a Palma de Ouro (Cannes) ainda são faróis em que eu confio e pelos quais me guio para pegar indicações de livros e de filmes. Trago neste primeiro post a indicação de um dos livros mais fantásticos que eu já li de não ficção, trata-se de O vulto das torres, de Lawrence Wright, ganhador do Pulitzer em 2007.



A maioria das pessoas conhece a Al-Qaeda do 11/09 para cá, mas desconhece o que houve antes disso. Desconhece Sayyid Qutb, a Irmandade Muçulmana, a responsabilidade da CIA no atentado, o papel do Egito e da Arábia Saudita nisso tudo... O livro é muito bem escrito e traz fatos que são dignos dos melhores thrillers de espionagem, como o caso do ex-major egípcio Ali Abdelsoud Mohammed. Inteligente, bem treinado e falando quatro idiomas, ele tornou-se um agente da Al-Qaeda e conseguiu se infiltrar no exército americano, roubou mapas e apostilas de treinamento e, com eles, produziu um manual para treinar os militantes da organização de Bin Laden. Ou o caso dos garotos egípcios, filhos de dirigentes da Al-Jihad, que foram chantageados e obrigados a plantar escutas e bombas na casa dos pais. Guerras subterrâneas geralmente são as mais sujas.



Bem, voltarei a falar desse livro, mas, por ora, deixarei apenas a indicação de leitura.



Ps: Chris, acho que eu sou um escritor de chapéu, rsrs!

domingo, 25 de setembro de 2011

O artista anônimo mais famoso do mundo






Nesses tempos de superexposição, em que as pessoas fazem qualquer negócio para aparecer, imaginem a seguinte situação:

o artista britânico e também diretor do documentário Exit Through The Gift Shop, teve, na época em que concorreu ao Oscar de 2011, a sua entrada no Kodak Theatre proibida pela Academia, pois usaria uma máscara.

O pseudônimo do sujeito é Banksy, e de modo algum divulga a sua identidade.

Mas não foi por ser cineasta que ficou famoso internacionalmente, e sim como artista de rua, que é refratário a mostrar-se em público, permanecendo incógnito. Suas intervenções com stencils e grafites, cada vez mais conhecidas e disputadas, no início em Bristol e depois em vários cenários urbanos, tornaram-no a maior figura misteriosa do momento. A arte de Banksy é de cunho político e social, carregada de cinismo e mensagens de humor negro. Ou seja, apaixonante.

Sempre tive um grande interesse por street art (especialmente pelo trabalho dos brasileiros osgemeos) e acompanho há alguns anos a obra de Banksy, esse genial grafiteiro londrino cujo trabalho eu adoro.

Ele também idealizou uma polêmica abertura para a série Os Simpsons, satirizando a indústria de animação pelo uso de estúdios "sweatshop" (de mão de obra barata – o que não é nenhuma novidade, incluindo a de países como o Brasil ).

Há quem diga que ele seja, na verdade, um grupo de artistas se passando por uma única figura.

Celeumas à parte, sua obra provocativa está nas ruas de várias cidades do mundo (até no muro da Cisjordânia) e em alguns museus também, deixada pelo próprio artista misterioso em visitas disfarçadas.

Visite o site oficial, tem muita coisa bacana: www.banksy.co.uk/

Veja a polêmica abertura da série:

Aproveitem.

Foto: Google Images

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Desculpe, mas estou chocada!

Nada é tão ruim que não possa piorar. Entre tantas tragédias de que tomamos conhecimento diariamente, uma notícia acachapante conseguiu nos deixar ainda mais perplexos nesta semana. Um garoto, de apenas dez anos, atira na professora e, ato contínuo, suicida-se. Tudo isso dentro da sala de aula de uma escola em São Caetano.

Uma sociedade que abriga esse grau de horror está mortalmente doente. Quando falamos de adolescentes de 15, 16 anos, ainda tentamos buscar os motivos e explicações mais óbvias para os casos. Mas quando se trata de um crime cometido por uma criança, ficamos impotentes.

Questionamos sempre a violência na televisão, nos filmes etc. O máximo de violência à qual eu e minha geração tínhamos acesso eram os divertidos filmes gênero capa-espada e as investidas meio cruéis de Moe contra os irmãos, Larry e Shemp, na série Os 3 patetas. Eventualmente, um crime hediondo publicado na mídia paralisava a nação. O valor da vida ainda não havia sido banalizado.

Atualmente, o que era exceção virou cena cotidiana. Porém, um ato dessa espécie, praticado por uma criança, há que se pensar.

Seria o caso da recorrente questão de Rousseau, o homem nasce bom e a sociedade o perverte, ou a de Hobbes, os seres humanos no estado de natureza são inerentemente brutos e isso só é sanado pelo bom governo? A sociedade é civilizatória ou, na verdade, corrompe seus elementos?

Talvez, um caminho mais curto, enquanto se debate a questão, seja um comprometimento maior dos pais quanto ao conteúdo de acesso dos filhos: na tv, na internet, nos cinemas. E também, o conhecimento dos locais frequentados por eles e as companhias escolhidas.

A violência é tamanha que não sabemos identificar, nos dias de hoje, quem é potencialmente um assassino ou criminoso. Pode ser o marido que mata a mulher, o tio que estupra a sobrinha, o garoto que entrega pizzas ou ainda the next door’girl.

Por isso, o temor constante. É a tal história, quem não tem medo morre uma vez, quem tem, morre todo dia.

Até o próximo post. Como diria o querido Caio Fernando Abreu: vou ali tentar ser feliz e já volto.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Os bastidores...

Hum... síndrome do primeiro post. O maldito cursor, intermitente, nos lembrando do início do ofício. Como veia latente na têmpora do herói e, em poucos minutos, é o coração que entra nesse compasso insuportável... tipo, típico filme B, close no aparelho de hospital ligado à única testemunha... pisca, pisca, de repente o traço, uma linha...não, não, eu preciso me salvar, entrar em cena...por favor um cateter, ops, digo, uma ideia, um tema. Bomba-relógio em contagem regressiva. Ridículo, eu tenho o tempo do mundo e por que essa sensação de que, se eu não agir, tudo vai explodir? ...e esse cursor a me delatar - blefe, farsa... Disfarço, levanto, e como quem se espreguiça ensaio um descaso, finjo aquela fleuma de quem não se importa. Tomo uma coca, fumo um cigarro... Dura um segundo. Olho ressentida para tela...

Posso trapacear, um ctrl+c e ctrl+v... imagina. Mas, mesmo citando a fonte, parece gambiarra... roubando a luz dos outros, cara? Bons tempos das bolas de papel arremessadas... e depois colher uma das folhas, num átimo de arrependimento. Talvez faça sentido... como dizia Drummond, não apanhe do chão o que já está perdido. Saudosismo? Não, apenas digressões.

Então, novo começo... digito... não sei... texto de tão sério, parece ter sido escrito por alguém de chapéu... Deleto.

Madrugada. Página em branco. Se pudesse ao menos, como antes, fazer dela um aviãozinho de papel...

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Comercial da Caixa com Machado de Assis branco é tirado do ar

Machado de Assis
Um comercial de televisão da Caixa Econômica Federal que tinha Machado de Assis como personagem foi tirado do ar pelo banco.

O filme contava que até mesmo Machado era cliente da Caixa, mas, na hora de escolherem o ator para interpretá-lo, escolheram um homem branco.

A Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), da Presidência da República, divulgou nota ressaltando as parcerias com a Caixa, mas dizendo que o comercial foi “uma solução publicitária de todo inadequada por contribuir para a invisibilização dos afro-brasileiros, distorcendo evidências pessoais e coletivas relevantes para a compreensão da personalidade literária de Machado de Assis, de sua obra e seu contexto histórico”.

O presidente da Caixa, Jorge Hereda, declarou: “O banco pede desculpas a toda a população e, em especial, aos movimentos ligados às causas raciais, por não ter caracterizado o escritor, que era afro-brasileiro, com a sua origem racial."

O vídeo do comercial pode ser visto aqui.

As informações são do site do jornal O Globo

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Um oi!

Oi, eu sou a Cris e faz 20 horas que não como peixe!

Pois é. Há mais ou menos dois meses minha amiga Bárbara Menezes me convidou para escrever neste blog. Eu aceitei. Quem não a conhece que a contradiga!

Segundo a descrição na abinha dos autores, ali em cima, eu sempre estou inventando projetos. Mas quem teve a ideia de escrevermos na web foi ela, e olha que não foi a primeira nem a segunda vez. E a proposta é das boas, afinal, o que na vida independe da linguagem, do texto? Sem contar que esse template ficou uma graça mesmo. O nome é que é um pouco abusado. Eu gosto.

Na descrição, ela diz, também, que me interesso por literatura infantil. É verdade, resolvi passear por essas veredas por ora. E tem sido uma delícia. Mas procurarei tratar de tudo o que me disser respeito sobre a linguagem e achar que cabe aqui. Tudo o que tenho visto, vivido, refletido no cotidiano e no inusitado, no ordinário e, quem me dera, no extraordinário.

Espero que gostem!
Até daqui a pouco.
=)

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Traduzir jogos de palavras: desafio ou tortura?

Dependendo do posto de vista do tradutor, um jogo de palavras pode ser um desafio delicioso ou um pesadelo. Depende do seu humor e do quanto você gosta de ter de fritar os miolos para achar boas soluções.

Há pouco tempo, eu estava traduzindo um livro para grávidas e havia um capítulo dedicado à escolha do nome do bebê. Um dos conselhos era: evite nomes que sejam jogos de palavras. Os exemplos eram Teresa Green (que soa como “trees are green/árvores são verdes”), Holly Wood (autoexplicativo) e Wendy House (o nome que se dá para aquela casinha de criança que algumas pessoas têm no quintal).

No mesmo capítulo, o livro aconselhava a mamãe a pensar na sigla formada pelo nome do filho, para evitar que virasse uma palavra feia ao ser bordada no uniforme e na mochila. O bom exemplo era Jane Olivia Young (JOY/alegria) e o mau exemplo era Freya Amanda Thomas (FAT/gorda).

Como resolver isso?

Eu conheço muitos nomes engraçadinhos, em que o jogo de palavras cria um duplo sentido, mas... todos inadequados para menores de 18 anos (e para o livro em questão)! E os amigos consultados também só conheciam essas versões impróprias.

...

Aposto que vocês também se lembraram de alguns engraçadinhos, rs.

Voltando...

Depois de muita pesquisa na internet e tentativas frustradas, fiquei com Caio do Valle e Décio Machado para os jogos de palavras (acabei deixando apenas dois, pois não achei um terceiro que fosse tão bom... e acho que a questão ficou bem explicada com esses).

Para as siglas, escolhi: Sônia Oliveira Lima (SOL) e Eric Cintra Aguiar (ECA).

O que acharam?
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