quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

As aves que aqui gorjeiam...

Calvin: Mamãe! Mamãe! Acabei de ver o primeiro robin da primavera! Ligue para o jornal, rápido!
Rá, rá, rá. Uma matéria de primeira capa! Uma placa comemorativa! Uma cerimônia cívica! Tudo para mim! Uhu! Uhu!

Calvin: Ó, puxa! Devo aplicar o dinheiro do prêmio ou gastar tudo de uma vez? Não acredito que consegui!
Mãe: Calvin...
Calvin: É um mundo duro, cruel e amargo no qual devemos crescer, Haroldo.
Haroldo: Alegre-se! Eu contei que vi um
robin ontem?


Uma das grandes dúvidas na hora de traduzir é o quanto “adaptar” o sentido do texto para o universo do público final.

Por exemplo, quem se lembra de quando a turma do Chaves foi viajar para a praia e a chamaram de Guarujá? Ora, no original, eles iam para Acapulco, mas os telespectadores brasileiros tiveram de engolir que os moradores da vila estavam aqui no litoral de São Paulo.

Além disso, lembro-me de já ter visto referências como “as cassetadas do Faustão” nas legendas de seriados de comédia, para não perder a piada.

Isso é certo? Errado?

Na minha opinião, depende do caso.

Há algum tempo, eu estava traduzindo um livro infantojuvenil sobre uma menina judia que estava presa em um gueto na Tchecoslováquia durante a Segunda Guerra Mundial. Ela contava que uma amiga, que tinha muito talento para o desenho, havia feito um retrato de um robin que pousara na calçada do gueto.

O robin é um passarinho muito fofo que marca presença na Europa e no norte da África.  Na hora de traduzir, fiquei com uma dúvida: duas meninas observando um passarinho que, para elas, era tão comum a ponto de saberem seu nome... Como reproduzir isso?

No Brasil, talvez algo assim acontecesse com um sabiá, um bem-te-vi ou um beija-flor. Mas um pisco-de-peito-ruivo? Será que os leitores pré-adolescentes saberiam o que é?

Muitos livros infantis fazem adaptações, principalmente com animais, para figuras mais conhecidas pelas crianças brasileiras. Porém, como eu poderia colocar um sabiá em um gueto da Tchecoslováquia? Além disso, pré-adolescentes não são mais crianças.

No final, acho que vai ser bem interessante se eles não fizerem ideia do que seja um pisco-de-peito-ruivo. Pesquisem! E aprendam :) Vocês vão adorar!

Robin/Pisco-de-peito-ruivo. Fofo, né?

PS: O robin do qual Calvin fala na tirinha é o robin americano. Ele é chamado assim por se parecer com o colega europeu, mas as duas espécies não têm parentesco.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

“O que somos para além do que vamos sendo?”






O livro Fazes-me falta esperava na pilha de “leituras urgentes”, que sempre sabotamos, havia pelo menos dois anos. Só este mês consegui finalmente devorá-lo. Escrito por Inês Pedrosa, escritora portuguesa que ganhou vários prêmios, surpreendeu-me pela delicadeza e leitura envolvente.

O romance, se compõe de duas vozes distintas: de um homem maduro, incrédulo e conservador, que tem todo seu histórico permeado pelo salazarismo, guerras nas colônias e desilusões amorosas, e de uma jovem idealista, abismada em Deus, traumatizada pela perda dos pais quando ainda criança e por um relacionamento anterior desastroso.

Uma narrativa insólita, em que os dois personagens mantêm um diálogo incomunicante, partido. Ela acabou de morrer e lamenta, pois não se conforma a esse novo estado, uma sobrevida num lugar a que chama noante; ele sofre com a separação brusca e definitiva, e expressa suas dores. Ambos em vida tinham uma amizade íntima, mas nunca chegaram a ser amantes. Agora, que a morte se interpôs, se ressentem da não entrega. Privilegiaram a amizade, que nunca se esgotaria como acontece fatalmente com as relações amorosas. Na verdade, os dois carregavam desilusões tamanhas que a ideia era de se autopreservarem. Imaginaram uma relação estanque, ideal, sem cicatrizes ou mágoas, tipicamente dos nossos tempos. Enfim, uma interação pessoal anódina. Só após a morte dela perceberam que uma linha tênue separava a amizade da paixão.

A própria solução gráfica do livro reitera a distância entre os dois. Em breves capítulos, os dois se alternam em dissecar a relação. Quando ela fala, a tipologia é delicada e em corpo menor, como se sussurrasse ou falasse de longe. Nas falas dele, a fonte é mais limpa, sem serifas e em tamanho maior, ou seja, ele está vivo, e mais perto de nós, leitores.

O trato das palavras pela autora e a própria tessitura do romance dão o tom a uma prosa lírica, com desdobramentos da vivência de duas gerações diferentes num Portugal contemporâneo. E como não poderia deixar de ser, no texto está escancarada toda a alma nostálgica portuguesa e a saudade como legado.



Trecho:


“Há tantas coisas que nunca te disse — e dizias tu que eu falava demais. Flutuo
por este noante em busca dessas palavras a menos, atravessadas entre nós
como um longo corredor de prisão. Em vida, sussurrava: não te perdoo o que
não soubeste saber de mim. Este noante revela-me a verdade invingada: não
me perdoo o que não soube verter-te de mim.”



Cumps.

Uma pausa para o riso

E se houvesse teste de DNA na época de Dom Casmurro?

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Sobre livros e malfeitores

Há muitos anos, tive em minhas mãos um livro cujo título não lembro, mas era algo como “100 dicas para proteger sua casa contra assaltos”. À primeira leitura, achei o livro bem interessante, porém, algo me incomodou: para ensinar como defender o seu lar, o livro ensinava como os bandidos agiam, como eles escolhiam os alvos, como desligavam alarmes e como arrombavam os diferentes tipos de fechadura. Ora, não era somente um livro sobre segurança residencial, era também um manual de como assaltar casas! Tudo dependia apenas da intenção do leitor.

Um exemplo mais atual são os livros sobre como proteger o seu micro do ataque de um hacker. Esses livros terminam indicando para o leitor de má índole portas de acesso ao computador alheio.

Querem mais um exemplo? Tenho um livro chamado Contra-ataque – para vencer a guerra contra o terrorismo, este se propõe a debater o problema do terrorismo e indica medidas de contraterrorismo. A iniciativa é boa, porém, também ensina como esconder um dispositivo de lançamento de foguetes em um carro, ensina como o tanque de combustível de um carro-bomba deve estar para que a explosão seja bem-sucedida, ensina a escolher alvos, entre outras coisas. Eis aí uma cartilha de terrorismo.

Fica a pergunta: o que fazer quanto a isso? Sinceramente, eu não tenho uma resposta. Talvez um pouco mais de cuidado da parte dos escritores e editores. É possível indicar qual fechadura é a mais segura sem ensinar como arrombar as outras.

Há quem sugira a proibição de livros assim. Discordo e, automaticamente, lembro-me do embargo que a ONU impôs ao Iraque antes da guerra que depôs Saddam Hussein. Entre os produtos que esse país não podia importar, estavam lápis e canetas. Isso mesmo, lápis e canetas! Temia-se que a tinta ou a grafite fossem utilizadas na fabricação de armas químicas. A ONU optou pela proibição, a solução mais simples, e quase fez com que toda a população de um país voltasse ao tempo das tábuas de argila. Sorte dos iraquianos a penicilina não poder ser usada para a fabricação de armas biológicas.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Eu vi

Eu confesso. Sempre tive uma queda pelo Saci. Lembro da minha mãe contando como ele era: negrinho, de uma perna só, com um cachimbo na boca e um gorro vermelho na cabeça. Era esperto – sagaz! – fazia travessuras e agrados, era herói e capeta, perneta e veloz. Para conseguir pegá-lo era preciso uma peneira, tirar o gorro e colocá-lo na garrafa.

Lenda guardada na memória, e não é que um dia desses encontrei o capetinha por aí? Um não: sete. Dentre eles, o sacy fubá (que só admite seu nome grafado com y), o saci de miçanga e o saci japonês. Estão todos no livro que eu ganhei Saci, organizado por Mouzar Benedito, pela Mundo Mirim.

Pelo livro, descobri que existe uma organização, SOSACI (Sociedade dos Observadores de Saci), especializada em coletar histórias de sacis: http://www.sosaci.org/ . A entidade é uma versão atual e expandida da iniciativa do escritor Monteiro Lobato, na publicação O Saci Pererê - O Resultado de um Inquérito, fruto de uma pesquisa com os leitores do jornal O Estado de S. Paulo, em 1917 . Querendo conhecer mais sobre o mito, o escritor foi coletar a resposta em sua fonte: o povo. Dali surgiu, O Saci (1921), um dos livros do Sítio do Pica Pau Amarelo, a primeira versão escrita do herói folclórico.

Em pesquisa, descobri que a minha versão de Saci é só uma entre inúmeras. Até saci-ave tem, mais presente no Norte do Brasil. A que a gente conhece, aqui no Sudeste, é o saci-moleque. E não é só o pererê não. Mas vou parar por aqui para não dar nó na cabeça. Afinal, minha cachola não é crina de cavalo para saci nenhum trançar.

E se você vir um sacizinho por aí não relute: ele aparece justamente para quem caçoa de sua existência. Assuma a aparição e contribua mais um pouco com a cultura popular brasileira.

























Retrato do Saci-pererê (2007) por J. Marconi

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

“Vou apertar, mas não vou acender agora. Se segura malandro, pra fazer a cabeça tem hora”





Um incauto que ligasse a TV e se deparasse com a imagem de jovens com os rostos cobertos, imaginaria ser uma nova rebelião num presídio qualquer.



Na verdade, tratava-se de uma ocupação da reitoria pelos alunos da USP. O que esses estudantes pleiteavam? Poderia se supor que seria uma manifestação contra a corrupção que grassa pelo país, a impunidade de nossos representantes políticos, os números da inflação maquiados, ou ainda, o 84º lugar do Brasil no IDH divulgado pela ONU.



Pois, pasmem! O imbróglio era por conta da presença da PM no campus, o que coibiria a alegada liberdade de expressão, trocando em miúdos, o uso de maconha. Como se sabe, assaltos e até assassinatos ocorreram na USP. Então, firmou-se um convênio entre a Polícia Militar e a Secretaria da Segurança Pública, para aumentar as medidas de proteção na Cidade Universitária.



Deu-se o caso que, durante uma ronda normal, três alunos foram detidos por posse de maconha. Mesmo tendo sido liberados logo depois, um grupo de estudantes invadiu um prédio da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) como retaliação. Houve uma assembleia em que a maioria decidiu pela desocupação do edifício. A minoria derrotada, muito “democraticamente” porém, decidiu invadir a reitoria. Ou seja, a discussão toda é porque essa pequena turma de uspianos não quer ter sua liberdade de queimar um baseadinho restringida. É em defesa dessa causa tíbia que os estudantes se rebelaram, corroborando a imagem da USP como sendo um mundo paralelo. E se não bastasse, como estupidez pode ser contagiosa, aventou-se a possibilidade de uma greve geral na universidade. Depois da reintegração de posse, vários estudantes foram levados à delegacia. A fiança foi paga com dinheiro arrecadado por filiados da Conlutas (Coordenação Nacional de Lutas) em todo o país. Esses alunos, que não precisam pagar faculdade e depredam patrimônio público, ainda são libertados sem nenhum custo. Eis aí uma bela lição de cidadania.



O mais risível é que em algum momento foi dito que os estudantes eram presos políticos. Visão totalmente equivocada, querendo fazer desta veleidade estudantil uma tentativa de emular-se a jovens da época de ditadura que brigavam por ideais que valiam a pena e as faculdades eram sim o reduto sagrado para a livre expressão.



Enquanto isso, bem próximo daqui, no Chile, estudantes estão nas ruas há meses reivindicando educação pública gratuita e de qualidade.



É isso aí, bicho.



Título do post: trecho da música Malandragem dá um tempo com o Barão Vermelho

domingo, 6 de novembro de 2011

Bons livros para crianças e adolescentes

Apesar de eu ter sido uma leitora voraz desde criança, sou contra a atitude de muitos professores de Português e Redação que obrigam os alunos a lerem clássicos da nossa literatura completamente inadequados à sua idade. Não digo isso por terem conteúdo violento ou sexual...

No meu primeiro contato com Macunaíma, ainda no colégio, li a primeira página e pensei: ahn? Ele comeu o calcanhar dela?

Não entendi nada e, assim, abandonei a leitura. Anos depois, já tendo estudado o Modernismo e lido outras coisas, voltei para Macunaíma e adorei. Entendi que, sim, ele come o calcanhar dela e está tudo certo.

Empurrar Machado de Assis, José de Alencar e Clarice Lispector para alunos com pouca maturidade só tem um resultado: eles pegam birra. Não só desses autores, mas de livros em geral.

Mas você pergunta: o que fazer para meu filho(a)/sobrinho(a)/afilhado(a) etc ler alguma coisa que vá além de Crepúsculo e Diário de um Banana? Para responder, pretendo criar uma série de posts com dicas de clássicos (ou não) que ajudam a criança, o pré-adolescente e até o adolescente a ampliar o gosto literário ou, até mesmo, passar a gostar de ler.

A primeira dica é direcionada às meninas. Não que eu ache que existam livros só de meninas, mas, neste caso, parece-me que não vai ser muito atraente para garotos.


Mulherzinhas é um clássico da literatura de língua inglesa mais conhecido aqui no Brasil pela adaptação para o cinema, Adoráveis Mulheres. O livro começa com as irmãs March reclamando que não ganharão presentes no natal. O pai está na guerra e a família delas não tem muito dinheiro para viver, apesar de ter sido, no passado, uma das mais importantes da região.

Por isso, as meninas March são obrigadas a trabalhar para ajudar em casa ou a passar vergonha na escola por não poderem comprar certos luxos. Porém, como imaginação não depende de dinheiro, elas criam um grupo secreto de teatro e publicam seus próprios jornais.

O livro acompanha as meninas enquanto elas aprendem a viver sem excessos, mas com muita união. Meg, a mais velha, começa a frequentar bailes e sofre nas mãos de meninas ricas que querem transformá-la em alguém diferente do que ela é. Jô, inteligente e amante dos livros, comporta-se mais como um menino do que como uma mocinha. A doce e delicada Beth cai doente justo quando a mãe não está em casa e a mimada Amy, a caçula, gasta seu tempo pensando em como seria melhor a vida com dinheiro.

Louisa May Alcott lançou Mulherzinhas em 1868, inspirada pelas histórias dela e de suas irmãs (Jô é a personagem que representa a autora), e teve tanto sucesso que, em 1869, ganhou uma continuação, Good Wives. Além desses, a autora escreveu mais dois livros com personagens da família March: Little Men e Jo’s Boys.

É importante saber que este livro não traz uma história melada e cor-de-rosa que coloca as meninas como seres fúteis que só querem saber de vestidos e festas. Ele é delicado e mostra como as irmãs March descobrem que dinheiro, afinal, não compra amor nem felicidade.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Bem-vindo a Dallas, Sr. presidente!


Quando você, por um motivo qualquer, se lembra de John Fitzgerald Kennedy (JFK), o que vem à sua mente?

Possivelmente, a imagem do jovem presidente, querido por todos, com um magnetismo pessoal indiscutível, corajoso estadista que peitou os russos e os cubanos na Crise dos Mísseis, mas que, em uma visita a Dallas, foi (supostamente) assassinado por Lee Harvey Oswald.

Bem, e que tal a imagem de um homem com a saúde em frangalhos, viciado em remédios, mas que nem por isso se privava de organizar orgias na Casa Branca e que usava o FBI para vigiar a esposa e encobrir as suas infidelidades?

Ou ainda a imagem de um político que fraudou a eleição presidencial com a ajuda da máfia de Chicago, que cedeu para os russos a retirada dos mísseis americanos na Turquia e a garantia de nunca invadir Cuba em troca da retirada dos mísseis soviéticos e que fez planos para assassinar presidentes de países socialistas?

O livro de Seymour Hersh é um soco na boca do estômago! O título e o subtítulo (O lado negro de Camelot: sexo e corrupção na Era Kennedy) dão a entender que se trata de simples sensacionalismo, porém, o autor é um dos melhores jornalistas investigativos dos EUA e conquistou um Pulitzer em 1970, após denunciar o massacre de My Lai, Vietnã.

O livro fala também sobre a fracassada invasão da Baía dos Porcos, sobre o envolvimento secreto de JFK com Christine Keeler (pivô do escândalo de espionagem conhecido como Caso Profumo), sobre a Operação Mangusto e sobre a pouco conhecida Crise de Berlim.

Bem, é muita dinamite para um único post. Se você quer conhecer mais sobre os bastidores de um dos governos mais populares dos EUA, esse livro é o caminho.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Os escritores e suas idiossincrasias – II





Mais algumas manias interessantes de escritores famosos.

Montaigne só conseguia escrever no recolhimento da torre do seu castelo de família. Por sua vez, Balzac vestia uma confortável túnica branca e trabalhava entre 16 a 18 horas seguidas, à base de litros de café.

O poeta Pablo Neruda tinha a mania de escrever somente com caneta de tinta verde.

Moacyr Scliar dizia que em termos de escrever, o seu método, ou mania, ou superstição consistia em não ter método, ou mania, ou superstição.

Conta-se que Clarice Lispector fumava uns cigarros, fazia café e escrevia com a máquina no colo e os filhos em volta. Jorge Luis Borges registrava seus sonhos e os usava na escrita.

O escritor norte-americano Philip Roth vive só e escreve quando vem a inspiração ou quando tem insônia.

Autor de Canalha!, Fabrício Carpinejar, relata: “Não consigo escrever sem camisa. É como desrespeitar a imaginação. E na hora de algum bloqueio, faço faxina da grossa, com detergente e enceradeira. Volto cansado ao computador, sem vontade de mentir”.

Marçal Aquino, autor de Eu receberia as piores notícias de seus lindos lábios, diz: “Escrevo literatura exclusivamente a mão, em cadernos tipo universitário, com caneta macia. Gosto da frase do Kureishi: ‘Escrevo com pau duro e caneta de ponta mole, e não o contrário’”.

João Silvério Trevisan diz que para escrever Ana em Veneza jogou búzios, I Ching e fez mapa solar dos personagens (figuras reais).

Bruna Beber, autora de Balés, só tem uma restrição: sem humanos por perto. Mas bicho pode.

Vocês devem estar pensando para que serve tudo isso. Bom, como dizia a escritora Dorothy Parker: a cura para o tédio é a curiosidade. E não há cura para a curiosidade.

Até a próxima.

Veja a primeira parte desta lista em: Os escritores e suas idiossicrasias - I

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Um relato extraordinário

Vocês tiveram a sorte em nascer pássaros e livres...vejam o que nós humanos fazemos uns aos outros

Na véspera do dia de Nossa Senhora Aparecida, tive a sorte de ver de perto Immaculée Ilibagiza, uma mulher admirável, que conseguiu sobreviver de forma heroica ao genocídio ruandês de 1994. Ainda estavam vivas, em mim, as palavras de sua instigante história autobiográfica, em “Sobrevivi para Contar - O Poder da Fé me Salvou de um Massacre”, quando a ouvi contar sua incrível saga, em uma palestra no TUCA, teatro da PUC-SP. Como quando li as páginas de seu livro, não pude conter as lágrimas.

Logo no prefácio, ela avisa: o livro não pretende contar a história de Ruanda, nem do genocídio, mas a história pessoal em meio à guerra civil ruandesa. Não é por isso, no entanto, que é uma história menos impressionante. Em seu relato, Immaculée conta como superou a solidão, o medo, o ódio e garantiu a fé em Deus e nas pessoas.

Ela, que nunca havia ouvido falar em tutsis e hutus em sua família, passou 91 dias dentro de um banheiro de 1,2m de comprimento e 1m de largura, com mais cinco mulheres e, mais tarde, com mais outras duas, porque o acaso – a alta estatura e o nariz afinado – resolveu considerá-la uma tutsi. Durante o período, elas não podiam conversar ou tomar banho, comiam restos de comida dos moradores da casa e só puxavam a descarga ao mesmo tempo em que alguém, no outro banheiro, puxava também.

Em sua liberdade, essa mulher teve de pagar preços ainda mais dolorosos: pai, mãe, avós e irmãos foram assassinados de forma cruel e violenta. A nova vida lhe deixava entre a esperança e o desalento. Era preciso encontrar um emprego, amigos, uma casa, mais tarde, um grande amor e o mais difícil de tudo: a capacidade de perdoar, apenas assim conseguiria estar livre para recomeçar sua vida.

Immaculée só conquistou o perdão por meio da oração. No banheiro, apegou-se ao terço vermelho e branco, dado pelo seu pai na última vez em que viu. Depois de pedir insistidas vezes para perdoar os assassinos e a livrar-se do ódio que sentia, ela conseguiu. “Pela primeira vez, desde que havia entrado no banheiro, dormi em paz”.

E foi para discursar sobre o perdão que Immaculée veio ao Brasil. Com essa arma poderosa, entendeu que a sua vida poderia ter um novo começo e o ciclo vicioso da vingança e do ódio entre os povos poderia ter um fim. Ao vê-la tão bonita e decidida, meu sentimento foi de pura admiração, o sentimento de pena ameaço deixar para mim e para os outros quando nos deixamos impressionar e nos acovardar diante das pequenas mazelas da vida ordinária.

Immaculée, 39 anos, trabalhou na ONU em Ruanda e nos Estados Unidos. É casada com um norte-americano, tem dois filhos e hoje se dedica à sua Fundação Ilibagiza, criada por ela para atender sobreviventes de genocídios e guerras, principalmente os órfãos.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Os escritores e suas idiossincrasias – I







Compilei alguns métodos e comportamentos interessantes de escritores famosos.

Reza a lenda que Alexandre Dumas, quando começava uma obra, trabalhava dia e noite, sem cessar, até ver concluído o trabalho. Para estar certo disso, e não ser interrompido, despia-se e entregava os sapatos e as roupas ao criado.

Bukowski dizia só escrever depois de bêbado, e após fazer sexo ou se masturbar. Baudelaire também enchia a cara para escrever.

O escritor Pedro Nava, após encontrar a posição ideal que o inspirava, parafusava os móveis de sua casa a fim de que ninguém os mudasse de lugar.

Dizem que Verlaine, o grande poeta francês, só conseguia trabalhar sob a influência de drogas e Hoffman, o afamado autor dos "Contos", sob o efeito de uma beberagem de ervas.

O método de Victor Hugo, porém, foi dos mais extraordinários: trabalhava de pé, por vezes até catorze horas seguidas e foi assim que produziu "Os Miseráveis". Goethe também não se sentava ao escrever e, por conta disso, mantinha em sua casa uma escrivaninha alta.

Charles Dickens gostava de trabalhar num escritório suntuoso, justamente o contrário de Thackeray, que adorava o quarto pequenino e íntimo que mandou construir no fundo do quintal de sua casa. Bernard Shaw também preferia ficar longe de todos.

Eduardo Sterzi só escreve textos críticos na fonte Garamond corpo 12. A entrelinha tem de ser simples. O zoom deve estar em 210%.

Já o escritor argentino Ernesto Sabato tinha o hábito de, à tarde, incendiar o que havia escrito até o meio-dia.

O autor de A coisa não-deus, Alexandre Soares Silva, diz que gosta de escrever de madrugada, porque só consegue pensar quando todo mundo está dormindo. A sensação é a de que todo mundo morreu faz tempo, e finalmente pode dizer a verdade”.

Bom, parafraseando Samuel Beckett : “Todos nós nascemos adoráveis loucos. Alguns permanecem”.

Eu volto...e isso é uma ameaça.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Do outro lado do muro

No ano de Nosso Senhor de 1096, os corajosos exércitos da cristandade iniciaram uma série de campanhas militares que visavam conquistar a Terra Santa de Jerusalém, que estava nas mãos dos infiéis.

No ano de 489, os selvagens e impiedosos franj invadiram as terras da Ásia Menor e iniciaram uma guerra feroz contra os muçulmanos e contra Allah, o Clemente, o Misericordioso.

Essas são duas formas diferentes de se começar a contar a mesma história. As Cruzadas foram um evento tão brutal e traumatizante que até hoje podemos identificar aqui e ali resquícios desse conflito.
Qual dos dois lados em guerra estava com a razão? Essa é uma pergunta difícil e fica ainda mais difícil respondê-la quando conhecemos apenas um lado da história. Infelizmente, não raro, nos contentamos com a história contada pelo vencedor (neste caso, acontece algo pior: nos contentamos com a versão dos cruzados, o lado que perdeu!!!).
As Cruzadas vistas pelos árabes é um livro, no mínimo, necessário. Escrita por Amin Maalouf – um intelectual não muito conhecido aqui no Brasil, mas que faz parte da Académie Française –, essa obra leva o leitor ao coração de um povo que amargou a invasão de suas terras e episódios tão terríveis que desafiam a nossa imaginação (como é o caso dos canibais de Maara, da queima dos cem mil volumes da biblioteca de Dar-em-Ilm e da chuva de cabeças durante o cerco a Antioquia).
Esse livro tem o poder de provocar uma reação estranha: quando estiver no meio da leitura e com a guarda baixa, você (cristão e ocidental) se pegará torcendo por sultões, atabegs e califas e nomes como Kilij Arslan, Saladino e Redwan serão tão familiares e nobres quanto o de Ricardo, Coração de Leão.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Sem poesia o mundo não rola...




Ofício




Se mal desperta


os pés tocam o chão e já de novo no ar


ou é tocador de sinos


ou é poeta




Um Nobel para a poesia

Foi anunciado hoje o vencedor do prêmio Nobel de Literatura deste ano, o poeta sueco Tomas Tranströmer.

Nascido em 1931, Tranströmer publicou seu primeiro livro de poesias aos 23 anos.

"Por meio de suas imagens condensadas e translúcidas, ele nos dá novo acesso à realidade”, declarou a Academia Sueca, responsável pelo prêmio.

Infelizmente, não temos traduções de livros dele no Brasil, mas o poeta português João Luís Barreto Guimarães publicou algumas traduções de poemas de Tranströmer em seu blog, a partir da versão espanhola de Para vivos y muertos (tradução de Roberto Mascaro e Francisco Uriz). Reproduzo um deles aqui:

HISTÓRIAS DE MARINHEIROS
Tomas Tranströmer

Há dias de inverno sem neve em que o mar é parente
de zonas montanhosas, encolhido sob plumagem cinza,
azul só por um minuto, longas horas com ondas quais pálidos
linces, buscando em vão sustento nas pedras de à beira-mar.

Em dias como estes saem do mar restos de naufrágios em busca
de seus proprietários, sentados no bulício da cidade, e afogadas
tripulações vêm a terra, más ténues que fumo de cachimbo.

(No Norte andam os verdadeiros linces, com garras afiadas
e olhos sonhadores. No Norte, onde o dia
vive numa mina, de dia e de noite.

Ali, onde o único sobrevivente pode estar
junto ao forno da Aurora Boreal escutando
a música dos mortos de frio).

(1954)

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Decifra-me ou te devoro










Outro dia, me peguei inventariando as leituras de quando eu era criança. Não faltaram as obras que fizeram parte da vida de toda a minha geração: As aventuras de Tom Sawyer e Huckleberry Finn (de Mark Twain), Reinações de Narizinho (Monteiro Lobato) e as histórias da Condessa de Ségur. Depois, os livros de Agatha Christie. Sem esquecer, é claro, dos famosos gibis.

Mas nunca me esqueci de um livro que marcou essa época: Sir Jerry, Detetive – O Prestidigitador. Era um volume da série que fazia parte da “Coleção Menina e Moça”, lançada pela Livraria José Olympio Editora, que divulgava os romances da famosa “Bibliothèque de Suzette”.

A história transcorria nas férias, passadas na casa do Tio Dick, de uma turma de crianças. Tia Belle contratava, então, um show de mágica para animá-los. Mórouji, o prestidigitador, começa a apresentação no escuro, e após uma estrondosa gargalhada, o mágico desaparece e em seu lugar surge uma menininha de cabelos encaracolados. Mas o colar de pérolas negras de Tia Belle desaparece também. Aí, começa o grande mistério.

Esses livros da “Coleção Menina e Moça”, apesar de publicados a partir de 1934, ficaram por muitas décadas ainda presentes no mercado literário, alcançando assim, a minha geração, e eram recomendados às garotas por serem de absoluta confiança – os editores afiançavam, assim como autores e intelectuais envolvidos na livraria da editora, como José Lins do Rego, e católicos como Alceu Amoroso Lima (Tristão de Ataíde). Ou seja, eram histórias para encantar e de maneira alguma deletérias na formação do bom comportamento. Havia muito cuidado com o que as jovens liam, para se assegurar que desenvolvessem uma “moral sadia”. Normalmente o conteúdo era conservador, retrógrado e a prerrogativa era sempre o final feliz.

De certa forma, naquela altura acreditei que as aventuras de Sir Jerry houvessem selado meu destino, pois passei a sonhar em ser detetive. Ao fim e ao cabo, não atingi esse objetivo profissional, mas, até hoje, me delicio com histórias de suspense e mistério. E também com enigmas - daí o título dado ao post, do afamado enigma da esfinge.
Até mais.

Foto: www.bloggerromancesemebook.blogspot.com

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

relento

à minha irmã Marlene (in memoriam)



na noite derramada
chorava meu olhar castanho
machucado pela ponta de uma estrela

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Antes das torres

Começarei este post com uma palavra em caixa-alta: PULITZER.



Dentre todos os prêmios que existem por aí, o Pulitzer, o Nobel de Literatura e a Palma de Ouro (Cannes) ainda são faróis em que eu confio e pelos quais me guio para pegar indicações de livros e de filmes. Trago neste primeiro post a indicação de um dos livros mais fantásticos que eu já li de não ficção, trata-se de O vulto das torres, de Lawrence Wright, ganhador do Pulitzer em 2007.



A maioria das pessoas conhece a Al-Qaeda do 11/09 para cá, mas desconhece o que houve antes disso. Desconhece Sayyid Qutb, a Irmandade Muçulmana, a responsabilidade da CIA no atentado, o papel do Egito e da Arábia Saudita nisso tudo... O livro é muito bem escrito e traz fatos que são dignos dos melhores thrillers de espionagem, como o caso do ex-major egípcio Ali Abdelsoud Mohammed. Inteligente, bem treinado e falando quatro idiomas, ele tornou-se um agente da Al-Qaeda e conseguiu se infiltrar no exército americano, roubou mapas e apostilas de treinamento e, com eles, produziu um manual para treinar os militantes da organização de Bin Laden. Ou o caso dos garotos egípcios, filhos de dirigentes da Al-Jihad, que foram chantageados e obrigados a plantar escutas e bombas na casa dos pais. Guerras subterrâneas geralmente são as mais sujas.



Bem, voltarei a falar desse livro, mas, por ora, deixarei apenas a indicação de leitura.



Ps: Chris, acho que eu sou um escritor de chapéu, rsrs!

domingo, 25 de setembro de 2011

O artista anônimo mais famoso do mundo






Nesses tempos de superexposição, em que as pessoas fazem qualquer negócio para aparecer, imaginem a seguinte situação:

o artista britânico e também diretor do documentário Exit Through The Gift Shop, teve, na época em que concorreu ao Oscar de 2011, a sua entrada no Kodak Theatre proibida pela Academia, pois usaria uma máscara.

O pseudônimo do sujeito é Banksy, e de modo algum divulga a sua identidade.

Mas não foi por ser cineasta que ficou famoso internacionalmente, e sim como artista de rua, que é refratário a mostrar-se em público, permanecendo incógnito. Suas intervenções com stencils e grafites, cada vez mais conhecidas e disputadas, no início em Bristol e depois em vários cenários urbanos, tornaram-no a maior figura misteriosa do momento. A arte de Banksy é de cunho político e social, carregada de cinismo e mensagens de humor negro. Ou seja, apaixonante.

Sempre tive um grande interesse por street art (especialmente pelo trabalho dos brasileiros osgemeos) e acompanho há alguns anos a obra de Banksy, esse genial grafiteiro londrino cujo trabalho eu adoro.

Ele também idealizou uma polêmica abertura para a série Os Simpsons, satirizando a indústria de animação pelo uso de estúdios "sweatshop" (de mão de obra barata – o que não é nenhuma novidade, incluindo a de países como o Brasil ).

Há quem diga que ele seja, na verdade, um grupo de artistas se passando por uma única figura.

Celeumas à parte, sua obra provocativa está nas ruas de várias cidades do mundo (até no muro da Cisjordânia) e em alguns museus também, deixada pelo próprio artista misterioso em visitas disfarçadas.

Visite o site oficial, tem muita coisa bacana: www.banksy.co.uk/

Veja a polêmica abertura da série:

Aproveitem.

Foto: Google Images

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Desculpe, mas estou chocada!

Nada é tão ruim que não possa piorar. Entre tantas tragédias de que tomamos conhecimento diariamente, uma notícia acachapante conseguiu nos deixar ainda mais perplexos nesta semana. Um garoto, de apenas dez anos, atira na professora e, ato contínuo, suicida-se. Tudo isso dentro da sala de aula de uma escola em São Caetano.

Uma sociedade que abriga esse grau de horror está mortalmente doente. Quando falamos de adolescentes de 15, 16 anos, ainda tentamos buscar os motivos e explicações mais óbvias para os casos. Mas quando se trata de um crime cometido por uma criança, ficamos impotentes.

Questionamos sempre a violência na televisão, nos filmes etc. O máximo de violência à qual eu e minha geração tínhamos acesso eram os divertidos filmes gênero capa-espada e as investidas meio cruéis de Moe contra os irmãos, Larry e Shemp, na série Os 3 patetas. Eventualmente, um crime hediondo publicado na mídia paralisava a nação. O valor da vida ainda não havia sido banalizado.

Atualmente, o que era exceção virou cena cotidiana. Porém, um ato dessa espécie, praticado por uma criança, há que se pensar.

Seria o caso da recorrente questão de Rousseau, o homem nasce bom e a sociedade o perverte, ou a de Hobbes, os seres humanos no estado de natureza são inerentemente brutos e isso só é sanado pelo bom governo? A sociedade é civilizatória ou, na verdade, corrompe seus elementos?

Talvez, um caminho mais curto, enquanto se debate a questão, seja um comprometimento maior dos pais quanto ao conteúdo de acesso dos filhos: na tv, na internet, nos cinemas. E também, o conhecimento dos locais frequentados por eles e as companhias escolhidas.

A violência é tamanha que não sabemos identificar, nos dias de hoje, quem é potencialmente um assassino ou criminoso. Pode ser o marido que mata a mulher, o tio que estupra a sobrinha, o garoto que entrega pizzas ou ainda the next door’girl.

Por isso, o temor constante. É a tal história, quem não tem medo morre uma vez, quem tem, morre todo dia.

Até o próximo post. Como diria o querido Caio Fernando Abreu: vou ali tentar ser feliz e já volto.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Os bastidores...

Hum... síndrome do primeiro post. O maldito cursor, intermitente, nos lembrando do início do ofício. Como veia latente na têmpora do herói e, em poucos minutos, é o coração que entra nesse compasso insuportável... tipo, típico filme B, close no aparelho de hospital ligado à única testemunha... pisca, pisca, de repente o traço, uma linha...não, não, eu preciso me salvar, entrar em cena...por favor um cateter, ops, digo, uma ideia, um tema. Bomba-relógio em contagem regressiva. Ridículo, eu tenho o tempo do mundo e por que essa sensação de que, se eu não agir, tudo vai explodir? ...e esse cursor a me delatar - blefe, farsa... Disfarço, levanto, e como quem se espreguiça ensaio um descaso, finjo aquela fleuma de quem não se importa. Tomo uma coca, fumo um cigarro... Dura um segundo. Olho ressentida para tela...

Posso trapacear, um ctrl+c e ctrl+v... imagina. Mas, mesmo citando a fonte, parece gambiarra... roubando a luz dos outros, cara? Bons tempos das bolas de papel arremessadas... e depois colher uma das folhas, num átimo de arrependimento. Talvez faça sentido... como dizia Drummond, não apanhe do chão o que já está perdido. Saudosismo? Não, apenas digressões.

Então, novo começo... digito... não sei... texto de tão sério, parece ter sido escrito por alguém de chapéu... Deleto.

Madrugada. Página em branco. Se pudesse ao menos, como antes, fazer dela um aviãozinho de papel...

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Comercial da Caixa com Machado de Assis branco é tirado do ar

Machado de Assis
Um comercial de televisão da Caixa Econômica Federal que tinha Machado de Assis como personagem foi tirado do ar pelo banco.

O filme contava que até mesmo Machado era cliente da Caixa, mas, na hora de escolherem o ator para interpretá-lo, escolheram um homem branco.

A Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), da Presidência da República, divulgou nota ressaltando as parcerias com a Caixa, mas dizendo que o comercial foi “uma solução publicitária de todo inadequada por contribuir para a invisibilização dos afro-brasileiros, distorcendo evidências pessoais e coletivas relevantes para a compreensão da personalidade literária de Machado de Assis, de sua obra e seu contexto histórico”.

O presidente da Caixa, Jorge Hereda, declarou: “O banco pede desculpas a toda a população e, em especial, aos movimentos ligados às causas raciais, por não ter caracterizado o escritor, que era afro-brasileiro, com a sua origem racial."

O vídeo do comercial pode ser visto aqui.

As informações são do site do jornal O Globo

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Um oi!

Oi, eu sou a Cris e faz 20 horas que não como peixe!

Pois é. Há mais ou menos dois meses minha amiga Bárbara Menezes me convidou para escrever neste blog. Eu aceitei. Quem não a conhece que a contradiga!

Segundo a descrição na abinha dos autores, ali em cima, eu sempre estou inventando projetos. Mas quem teve a ideia de escrevermos na web foi ela, e olha que não foi a primeira nem a segunda vez. E a proposta é das boas, afinal, o que na vida independe da linguagem, do texto? Sem contar que esse template ficou uma graça mesmo. O nome é que é um pouco abusado. Eu gosto.

Na descrição, ela diz, também, que me interesso por literatura infantil. É verdade, resolvi passear por essas veredas por ora. E tem sido uma delícia. Mas procurarei tratar de tudo o que me disser respeito sobre a linguagem e achar que cabe aqui. Tudo o que tenho visto, vivido, refletido no cotidiano e no inusitado, no ordinário e, quem me dera, no extraordinário.

Espero que gostem!
Até daqui a pouco.
=)

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Traduzir jogos de palavras: desafio ou tortura?

Dependendo do posto de vista do tradutor, um jogo de palavras pode ser um desafio delicioso ou um pesadelo. Depende do seu humor e do quanto você gosta de ter de fritar os miolos para achar boas soluções.

Há pouco tempo, eu estava traduzindo um livro para grávidas e havia um capítulo dedicado à escolha do nome do bebê. Um dos conselhos era: evite nomes que sejam jogos de palavras. Os exemplos eram Teresa Green (que soa como “trees are green/árvores são verdes”), Holly Wood (autoexplicativo) e Wendy House (o nome que se dá para aquela casinha de criança que algumas pessoas têm no quintal).

No mesmo capítulo, o livro aconselhava a mamãe a pensar na sigla formada pelo nome do filho, para evitar que virasse uma palavra feia ao ser bordada no uniforme e na mochila. O bom exemplo era Jane Olivia Young (JOY/alegria) e o mau exemplo era Freya Amanda Thomas (FAT/gorda).

Como resolver isso?

Eu conheço muitos nomes engraçadinhos, em que o jogo de palavras cria um duplo sentido, mas... todos inadequados para menores de 18 anos (e para o livro em questão)! E os amigos consultados também só conheciam essas versões impróprias.

...

Aposto que vocês também se lembraram de alguns engraçadinhos, rs.

Voltando...

Depois de muita pesquisa na internet e tentativas frustradas, fiquei com Caio do Valle e Décio Machado para os jogos de palavras (acabei deixando apenas dois, pois não achei um terceiro que fosse tão bom... e acho que a questão ficou bem explicada com esses).

Para as siglas, escolhi: Sônia Oliveira Lima (SOL) e Eric Cintra Aguiar (ECA).

O que acharam?
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